terça-feira, 25 de maio de 2010

"PAÍS IMPERIAL"

Tempos a fio que desacreditei no sistema europeu, na forçada União, na moeda única, atrevendo-me a escrevê-lo porque a minha liberdade de pensamento ainda não paga impostos, e não conheço qualquer medida legislativa que me imponha, no mínimo, uma contra-ordenação por causa disso.
Patriotismo serôdio, falta de visão de futuro, ser contra só por ser contra, e tantos outros epítetos do género, foram lançados sobre uns quantos que, como eu, sempre duvidaram dessa “gloriosa” criação que foi a União Europeia e a sua sequente moeda.
Era fácil ver a extrema dificuldade (para não dizer impossibilidade) que um pequeno País, com uma débil estrutura económica, uma estagnação produtiva com tendência para regredir, pudesse compatibilizar-se com realidades económicas e financeiras muito mais pujantes.
Lembram-se do slogan “Portugal estará no pelotão da frente da Europa”?
Quem dita agora as regras de funcionamento europeu?
A quem temos nós de obedecer, mesmo que contrariando todos os princípios, por mais elementares que sejam, da existência de um Estado Nação?
Claro que não me agrada a situação que vivemos, e até gostaria de me ter enganado nas pessimistas previsões.
Infelizmente a realidade é o que é, tal como a Europa continua a ser o que sempre foi, por muito que isso custe a uns quantos eurocratas, nascidos na ideia social do puro igualitarismo, e formatados na escola do facilitismo ocidental.
Nos arquivos de outros espaços de opinião constam textos deliberada e convictamente cépticos, chegando a premonizar que a União Europeia se destruirá a si própria.
E mesmo aqueles países que não aderiram à moeda única, e que por isso continuam a ter uma arma de defesa económico-financeira, estão já a sentir alguns dos efeitos perniciosos do “monstro”.
Sempre tivemos a “mania das grandezas” e o que servia à gula geopolítica e económica de algumas brilhantes cabeças que nos têm desgovernado, era ser parte de um “novo império”, monetarista, burocrático, e impante face ao poder da economia americana.
Mas tudo isto feito nas costas dos cidadãos que se dizia querer defender, e aos quais não perguntaram por que caminho queriam seguir.
Eureka!
O professor Ferreira do Amaral, numa linha de coerência de pensamento, diz claramente no “Jornal de Negócios”, e transcreve-se:

A economia tem sido destruída pelo euro. A estagnação da economia é, em parte, consequência da força da moeda única. A saída temporária do euro ou mecanismos de protecção dentro dele são soluções necessárias para salvar a economia portuguesa. Cortar salários não resolve o problema. Nos mercados o euro continua a cair”.

No mesmo dia Daniel Oliveira escreve no “Expresso” um texto que arrasa com a política de austeridade, defendida pela generalidade dos economistas, naquilo a que ele chama uma operação de propaganda ideológica, terminando assim:

Este país não se arrisca a sair desta crise apenas mais pobre. Tudo indica que, substituindo o debate político por aulas de economia dadas por contabilistas, sairá dela mais estúpido”.

Nem que seja apenas como grito de alma, na qualidade de cidadão português, e por isso mesmo também europeu, apetece-me dizer:
-Abaixo o euro!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"PASSEATAS OU PASSADEIRAS"

Assim sendo fico a pensar seriamente em mudar de residência. A coisa fica mais bonita se viver, por exemplo, em Londres, Nova Iorque, Berlim.
Não, sejamos modestos…Barcelona já serve.
Mas não se pense que deixo o meu País, isso não.
Quero continuar a trabalhar por cá, dando o meu contributo para os beneficiários do rendimento mínimo que se recusam a trabalhar.
Pudera…
Só há uma condição para isto se concretizar:
A minha entidade patronal tem de assumir o encargo das minhas viagens e correspondentes ajudas de custo entre o local de trabalho e a residência.
Assim é que fica bem e, além de equitativo, é justo.
Ah…já estava a esquecer:
E convém que assumam também a acumulação de reformas, isto na perspectiva de eu conseguir um segundo emprego.
É que a vida está difícil e o que se ganha num emprego só não dá para aguentar com um mínimo de dignidade.
Também isto, além de equitativo, é justo.
E deste modo, como não quero o bem só para mim, deverão tais medidas serem extensivas a todos os portugueses que, como eu, trabalham para sustentar os beneficiários do rendimento mínimo.
Só esses.
Outros beneficiários de outras coisas não são para aqui chamados.
Ou serão?
Mais um mistério lusitano.